quinta-feira, 19 de novembro de 2009




A morte, surda, caminha ao meu lado.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

eu


Sou daquele tipo de pessoa que tendo que escolher entre A e B, escolhe sempre C.

...Mas que sonha um dia, tendo que escolher entre 1 e 2, escolher sempre 3. Que não é nem 1, nem 2, mas que não exclui a existência dos dois.

domingo, 30 de agosto de 2009

Cidade Dourada


Bia não se lembrava como foi parar ali. Estava bem com a situação, nada lhe parecia anormal, apesar de notar que tudo estava diferente. Sua melhor amiga, Marina, estava com ela(o que lhe causava a sensação de segurança). Dentro do carro, ela, Marina e o motorista, que dirigia apressadamente. Na rua, ninguém. Nenhum outro carro, nenhuma outra pessoa. As cores estavam disformes e deveria ser umas 5h da manhã, ainda estava escuro, clareando. As ruas pareciam menores, apenas passava um carro por vez, não existiam calçadas, nem prédios, apenas casas, todas, no mínimo, de primeiro andar, fazendo muita sombra. Não existia espaço entre elas, pareciam mesmo formar um grande paredão, um labirinto. Bia ouviu uma sirene e percebeu que aquele carro não era um carro comum. Ela estava em uma ambulância. Tudo estava muito claro: o motorista corria porque quem dirige ambulância tem pressa, sempre. Não havia o que temer, não havia nada fora do lugar. Chegaram na rua de destino, uma rua sem saída que tinha lá no final uma casa a fechando. A ambulância acelerou, Bia achou estranho, mas logo entendeu que o carro iria entrar na casa. A casa não tinha garagem, era uma casa como aquelas do alto de Olinda. E o carro entrou facilmente pela porta da frente, estacionando na sala, vazia. O motorista então desligou o carro e desceu perguntando se elas não queriam ir ao banheiro, o único outro cômodo da casa, localizado do lado esquerdo, de onde vinha uma luz do dia muito forte. A sala escura, escura. A casa parecia abandonada. Bia e Marina ficaram esperando o motorista ir ao banheiro, tranquilamente na ambulância. Bia então começou a perceber algo diferente no rosto de Marina, não que ela tenha mudado, nem que Bia não tenha percebido antes, é que simplesmente ela agora é assim. Marina é verde e lhe falta um olho. Agora tudo parecia fazer ainda mais sentido: Bia estava acompanhando Marina ao hospital, mas não era nada grave, tudo ia ficar bem. Foi então que duas mulheres nunca antes vistas apareceram na porta da casa, colocando apenas a cabeça pra fora, de forma a brechar a porta. As duas amigas tentaram se esconder por dentro do carro. Quem seriam aquelas duas estranhas? De onde vieram se não havia ninguém na rua? O que elas queriam? Por que estão semi-escondidas nos observando? Elas se perguntaram. Mas não tiveram saída, as duas mulheres pareciam decididas a puxar assunto caso elas não o fizessem. E elas fizeram, as mulheres então entraram na casa. Para acelerar o processo e fugir da situação, Bia foi andando discretamente rumo ao banheiro na esperança de encontrar o motorista e ir embora dali. Quando estava quase adentrando-o, uma das mulheres, que se aproximava a cada passo que ela dava tentando se afastar, a perguntou: "Você não me passa muito medo?" Bia parou. Pensou. A mulher continuou: "Você não tem medo de muita coisa, não?!" Bia então começou a perceber que se tratava de um espírito e não era Marina a "morta-viva". Olhou então seriamente aquela mulher e respondeu: "Não, não tenho medo de muita coisa, mas de certas coisas." A mulher pareceu se convencer e foi embora. Marina correu em direção a Bia, que percebeu seu rosto como o de costume. Bia então entrou no banheiro e foi fazer xixi. No meio do ato, olhou para a janelinha quebrada do banheiro no seu lado direito e viu que estava num lugar bem alto, dava pra ver uma cidade inteira por aquela janela. Era lindo! O sol, o horizonte, uma cidade inteira de casinhas douradas no meio do nada. Bia falou alto pra Marina escutar: "Queria ter uma câmera pra fotografar isso aqui!". E então Marina respondeu: "Grava aí com os teus olhos".